domingo, 15 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Comemoração do 25 de Abril na Escola José Falcão de Miranda do Corvo
COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL
Como já vem sendo habitual nesta escola, realizou-se no dia 29 de Abril um conjunto de actividades integradas nas comemorações do 25 de Abril. Trata-se de uma iniciativa da Professora Anabela Monteiro, que conta com a colaboração do Grupo Disciplinar de História e de outros elementos da Comunidade Educativa.A organização do evento, comemorativo dos 37 anos da Revolução dos Cravos, esteve a cargo da Turma do 12º ano do Curso de Humanidades (da referida professora).

O programa iniciou-se a meio da manhã com o hastear da Bandeira Nacional, enquanto os alunos e os presentes cantavam o Hino Nacional.
A comemoração prosseguiu com a actuação de um grupo de alunos que animaram o evento com algumas danças coreografadas de canções de Abril, nomeadamente a conhecida "Grândola Vila Morena".
Para relembrar o espírito e os ideais de Abril, os alunos do 12º ano vestiam t-shirts alusivas com cravos impressos na parte da frente. Nas costas, a frase:
"É importante que não deixemos murchar o cravo que Abril floriu."
Os alunos do 12º ano (Turma B) foram os grandes protagonistas da noite, pois foi da sua responsabilidade a apresentação do programa: começaram com a entoação de duas canções de Abril - "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, e "Grândola Vila Morena", de José (Zeca) Afonso; seguiu-se o Hino Nacional, cantado por todos. Fizeram, depois, uma breve síntese das causas da Revolução de Abrill e apresentaram os convidados (Biografia do General Monteiro Valente; Biografia de Odete Santos)

O programa iniciou-se a meio da manhã com o hastear da Bandeira Nacional, enquanto os alunos e os presentes cantavam o Hino Nacional.
A comemoração prosseguiu com a actuação de um grupo de alunos que animaram o evento com algumas danças coreografadas de canções de Abril, nomeadamente a conhecida "Grândola Vila Morena".
Para relembrar o espírito e os ideais de Abril, os alunos do 12º ano vestiam t-shirts alusivas com cravos impressos na parte da frente. Nas costas, a frase:"É importante que não deixemos murchar o cravo que Abril floriu."
A segunda parte do programa, aberto a toda a comunidade, iniciou-se pelas 21 horas, no auditório da escola, onde foram convidados de honra, o General Augusto Monteiro Valente, capitão de Abril, e a conhecida cambatente anti-fascista, Dr.ª Odete Santos.
Os alunos do 12º ano (Turma B) foram os grandes protagonistas da noite, pois foi da sua responsabilidade a apresentação do programa: começaram com a entoação de duas canções de Abril - "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, e "Grândola Vila Morena", de José (Zeca) Afonso; seguiu-se o Hino Nacional, cantado por todos. Fizeram, depois, uma breve síntese das causas da Revolução de Abrill e apresentaram os convidados (Biografia do General Monteiro Valente; Biografia de Odete Santos)
Numa pequena pausa entre os dois discursos, duas alunas do 5º A declamaram poesia relacionada com o 25 de Abril.
Seguiu-se o discurso da Drª. Odete Santos, subordinado ao tema "Liberdades". De uma forma que cativou o público, Odete Santos falou sobre a opressão no tempo da Ditadura Salazarista, focando a actuação da Censura e da PIDE/DGS, da falta de liberdade de expressão, da discriminação e das diferenças na educação de homens e mulheres. Terminou o seu discurso declamando a parte final do poema "As portas que Abril abriu" (J.C. Ary dos Santos):


E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
Por insistência do público, não se livrou Odete Santos de declamar o poema "Calçada de Carriche" (António Gedeão), o que lhe valeu uma grande ovação do público, pela expressividade e brilhantismo com que o fez e que a todos muito agradou.
Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
...
Com este evento comemorativo dos 37 anos da Revolução de Abril , o Grupo disciplinar de História e os alunos do 12º B aqui deixam a mensagem: não deixemos murchar o cravo que Abril floriu! Não deixemos ninguém cerrar as portas que Abril Abriu!
Hoje, muito do conseguido foi abandonado... a crise que atravessamos deve levar-nos a reflectir no passado, na libertação da Ditadura, na conquista da liberdade e nos valores de Abril. Em tudo o que de lá para cá conquistámos. Porque, como referiu Odete Santos no seu discurso, os males de hoje não são culpa do 25 de Abril. Há, pois, que reafirmar os valores que nos fizeram avançar há 37 anos e que fizeram de Portugal um país melhor!GDH
sábado, 12 de março de 2011
12 de Março 2011 - Manif da geração à rasca

Milhares de pessoas em várias cidades juntaram-se ao Protesto Geração à Rasca, convocado por quatro jovens, em protesto contra a precariedade. A organização fala em 200 mil pessoas em Lisboa e 80 mil no Porto.
Fonte: Público
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Início do fim do império colonial
Início do fim do império colonial começou há 50 anos
(6Fev2011)
Helena Teixeira da Silva
Traduzir a guerra colonial em números é arriscar. Haverá três mil cadáveres no Ultramar. Cá, vivos, mais de meio milhão de ex-combatentes, cinco mil deficientes. Não há certezas. A única é que o dia 4 de Fevereiro de 1961 marcou o início do fim do império colonial português.
(6Fev2011)
Helena Teixeira da Silva
Traduzir a guerra colonial em números é arriscar. Haverá três mil cadáveres no Ultramar. Cá, vivos, mais de meio milhão de ex-combatentes, cinco mil deficientes. Não há certezas. A única é que o dia 4 de Fevereiro de 1961 marcou o início do fim do império colonial português.
Hoje, todos reconhecem que a guerra não fez sentido. Na altura, há 50 anos, partiram convictos de que a razão estava do lado da metrópole. Movia-os o patriotismo em que foram educados, era para a guerra e em força, defender o território nacional, servir a pátria, dar a vida pelo país. Tugas contra turras. Sentiam-se invencíveis, e mesmo que assim não fosse, tanto fazia, não tinham alternativa, o serviço militar era obrigatório.
Cerca de 11 mil militares morreram lá, nas ex-províncias portuguesas, abatidos, fuzilados, estilhaçados. Abandonados terão sido três mil, ninguém sabe ao certo. Os outros, hoje vivos apenas 540 mil (mais cerca de 130 negros, que viverão lá, mas que a lei portuguesa estranhamente não considera), com ferimentos mais de 30 mil, regressaram convencidos de que seriam abraçados como heróis. "Andámos debaixo de fogo, arriscámos a vida, lutámos pela liberdade, fizemos o que o país político nos pedia. O que haveríamos de esperar?", pergunta, retórico, José Carvalho, 59 anos, dois de Guiné. Mas as medalhas recebidas foram só cicatrizes, visíveis nuns casos, discretas noutros, mas que lhes toldaram para sempre a vida.
Irrompe-se por um almoço semanal de ex-combatentes adentro, em Matosinhos, almoço como há tantos por esse país abaixo, e percebe-se que são os ex-combatentes a tomar conta uns dos outros, que são inclusivamente eles quem tomam conta do que restou nos lugares onde combateram. Angariam dinheiro, compram medicamentos, bens alimentares, enviam para lá e lá, na Guiné, já construíram dois poços de água. O Estado português faz de conta, ou, se não faz, disfarça muito bem.
"Os ex-militares portugueses foram abandonados. Somos órfãos de pátria", reclama José Manuel, sexagenário duriense, comissão de 28 meses cumprida na Guiné. "Quando chegámos, o mais difícil era a reintegração social. Erámos apanhados de guerra, era a expressão que se usava", diz. Arranjar emprego era complicado. Muitos perderam-se, outros converteram-se ao alcoolismo, os dados sobre ex-combatentes sem-abrigo são tão díspares como todos os números referentes à guerra colonial. Seja como for, as versões oscilam entre 100 e 300.
Estudo revela dados inéditos
Recentemente, foi publicado um estudo sobre as "Feridas de guerra: (In)justiça silenciada", coordenado pelo coronel de artilharia na reserva João Andrade da Silva. Ao JN, o investigador explicou que a surpresa do trabalho, baseado numa amostra de 3020 queixas recebidas no Ministério da Defesa, entre 1997 e 2006, foi perceber "que a maioria dos queixosos se reporta a problemas físicos e não emocionais". Se estes abrangem 29 %, os ferimentos ou traumatismos múltiplos atingem 52 %. Isto revela "o grau de ineficácia dos diagnósticos então realizados. Entre 20 % e 40 % estavam errados ou foram optimistas". Apesar disso, considera não ter "havido abandono destes militares". "A prova de que o sistema é generoso é que reconheceu a 25 % o estatuto de deficientes das Forças Armadas".
A investigação, apesar de parecer uma pedrada no charco, não é consensual. Fonte ligada às associações de ex-combatentes considera-a "demasiado fechada". E diz ter dificuldade em crer "que os problemas de stress não sejam superiores aos físicos". É também esta a teoria dos ex-militares contactados pelo JN. "As nossas feridas não têm nome. Casei sem dizer à minha mulher que estive na guerra. E nunca falei disso até há meia dúzia de anos". Confissão recorrente. Ninguém se orgulha do que fez, todos gostavam de ter um interruptor que lhes desligasse a memória. As histórias, como a metáfora da cebola, só revelam a consciência quando o gravador se desliga. São irreproduzíveis - e impossíveis de digerir. "Não há cura para isto", dizem.
Para falar bem, mal ou assim--assim, todos os militares recordam Paulo Portas, o líder do CDS--PP que fez dos ex-combatentes a sua prioridade enquanto ministro da Defesa. Muitos consideram que o complemento anual de 150 euros (entretanto reduzido pelo actual Governo) "é esmola, ofensa" e recusam-no. Outros reconhecem-lhe o esforço. Ao JN, Portas explica que a medida tinha "valor simbólico". De alguma forma, era o "Obrigado" que os ex--combatentes nunca ouviram. De resto, é ele o primeiro a considerar "injusto" o esquecimento. "É um problema cultural", afirma. "As pessoas confundem ex-combatentes com antigo regime."
Fonte: Diário de Notícias
Cerca de 11 mil militares morreram lá, nas ex-províncias portuguesas, abatidos, fuzilados, estilhaçados. Abandonados terão sido três mil, ninguém sabe ao certo. Os outros, hoje vivos apenas 540 mil (mais cerca de 130 negros, que viverão lá, mas que a lei portuguesa estranhamente não considera), com ferimentos mais de 30 mil, regressaram convencidos de que seriam abraçados como heróis. "Andámos debaixo de fogo, arriscámos a vida, lutámos pela liberdade, fizemos o que o país político nos pedia. O que haveríamos de esperar?", pergunta, retórico, José Carvalho, 59 anos, dois de Guiné. Mas as medalhas recebidas foram só cicatrizes, visíveis nuns casos, discretas noutros, mas que lhes toldaram para sempre a vida.
Irrompe-se por um almoço semanal de ex-combatentes adentro, em Matosinhos, almoço como há tantos por esse país abaixo, e percebe-se que são os ex-combatentes a tomar conta uns dos outros, que são inclusivamente eles quem tomam conta do que restou nos lugares onde combateram. Angariam dinheiro, compram medicamentos, bens alimentares, enviam para lá e lá, na Guiné, já construíram dois poços de água. O Estado português faz de conta, ou, se não faz, disfarça muito bem.
"Os ex-militares portugueses foram abandonados. Somos órfãos de pátria", reclama José Manuel, sexagenário duriense, comissão de 28 meses cumprida na Guiné. "Quando chegámos, o mais difícil era a reintegração social. Erámos apanhados de guerra, era a expressão que se usava", diz. Arranjar emprego era complicado. Muitos perderam-se, outros converteram-se ao alcoolismo, os dados sobre ex-combatentes sem-abrigo são tão díspares como todos os números referentes à guerra colonial. Seja como for, as versões oscilam entre 100 e 300.
Estudo revela dados inéditos
Recentemente, foi publicado um estudo sobre as "Feridas de guerra: (In)justiça silenciada", coordenado pelo coronel de artilharia na reserva João Andrade da Silva. Ao JN, o investigador explicou que a surpresa do trabalho, baseado numa amostra de 3020 queixas recebidas no Ministério da Defesa, entre 1997 e 2006, foi perceber "que a maioria dos queixosos se reporta a problemas físicos e não emocionais". Se estes abrangem 29 %, os ferimentos ou traumatismos múltiplos atingem 52 %. Isto revela "o grau de ineficácia dos diagnósticos então realizados. Entre 20 % e 40 % estavam errados ou foram optimistas". Apesar disso, considera não ter "havido abandono destes militares". "A prova de que o sistema é generoso é que reconheceu a 25 % o estatuto de deficientes das Forças Armadas".
A investigação, apesar de parecer uma pedrada no charco, não é consensual. Fonte ligada às associações de ex-combatentes considera-a "demasiado fechada". E diz ter dificuldade em crer "que os problemas de stress não sejam superiores aos físicos". É também esta a teoria dos ex-militares contactados pelo JN. "As nossas feridas não têm nome. Casei sem dizer à minha mulher que estive na guerra. E nunca falei disso até há meia dúzia de anos". Confissão recorrente. Ninguém se orgulha do que fez, todos gostavam de ter um interruptor que lhes desligasse a memória. As histórias, como a metáfora da cebola, só revelam a consciência quando o gravador se desliga. São irreproduzíveis - e impossíveis de digerir. "Não há cura para isto", dizem.
Para falar bem, mal ou assim--assim, todos os militares recordam Paulo Portas, o líder do CDS--PP que fez dos ex-combatentes a sua prioridade enquanto ministro da Defesa. Muitos consideram que o complemento anual de 150 euros (entretanto reduzido pelo actual Governo) "é esmola, ofensa" e recusam-no. Outros reconhecem-lhe o esforço. Ao JN, Portas explica que a medida tinha "valor simbólico". De alguma forma, era o "Obrigado" que os ex--combatentes nunca ouviram. De resto, é ele o primeiro a considerar "injusto" o esquecimento. "É um problema cultural", afirma. "As pessoas confundem ex-combatentes com antigo regime."
Fonte: Diário de Notícias
«Parva que sou» dos Deolinda
Nova música de intervenção criada pelos Deolinda
Fonte: IOL Diário
Fonte: vídeos SIC
Deolinda - Parva que sou
Música e letra: Pedro da Silva Martins
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração «casinha dos pais»,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração «vou queixar-me pra quê?»
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração «eu já não posso mais!»
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Fonte: IOL Diário
Mais sobre os Deolinda
Em pouco mais de duas semanas, a música tornou-se um sucesso nas redes sociais e é já usada como forma retratar uma geração. «Parva que sou», do grupo português Deolinda, foi tocado pela primeira vez em público no concerto do Coliseu do Porto, no dia 22 de Janeiro, dia de reflexão para as eleições presidenciais. E pôs muita gente a reflectir.
A letra fala de uma geração que vive com a instabilidade laboral, que continua a viver em casa dos pais por falta de condições financeiras, e adia planos de casamento e filhos. E que apesar disso nada faz para alterar esta condição.
O vídeo, colocado por alguns dos espectadores no YouTube, foi partilhado vezes sem conta pelas redes sociais e não falta quem se identifique com esta realidade retratada.
Também se identifica com a letra desta música? Conte-nos a sua história!
A letra fala de uma geração que vive com a instabilidade laboral, que continua a viver em casa dos pais por falta de condições financeiras, e adia planos de casamento e filhos. E que apesar disso nada faz para alterar esta condição.
O vídeo, colocado por alguns dos espectadores no YouTube, foi partilhado vezes sem conta pelas redes sociais e não falta quem se identifique com esta realidade retratada.
Também se identifica com a letra desta música? Conte-nos a sua história!
Fonte: IOL Diário
Fonte: vídeos SIC
Deolinda - Parva que sou
Música e letra: Pedro da Silva Martins
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração «casinha dos pais»,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração «vou queixar-me pra quê?»
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração «eu já não posso mais!»
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Fonte: IOL Diário
Mais sobre os Deolinda
Guerra colonial no cinema português
Guerra Colonial no cinema: portugueses não olham para as feridas do passado

Veja ainda:
Entrevista com Marta Pessoa, realizadora de Quem vai à guerra
Poesia sobre Guerra Colonial é um "imenso património de sofrimento"
Fonte:Lusa/SAPO
07 de Fevereiro de 2011
António-Pedro Vasconcelos, Margarida Cardoso e João Botelho, três realizadores que colocaram a guerra colonial no cinema, dizem agora, 50 anos depois do começo do conflito, que os portugueses não olham para as feridas do passado.

Um Adeus Português, de 1985, é considerado o primeiro filme português de ficção a abordar diretamente a questão da guerra colonial e João Botelho fê-lo porque "não aguentava mais o silêncio", disse à agência Lusa.
"Foi uma guerra de desgaste, de podridão e senti que precisava de romper o silêncio", recordou, admitindo que fez o filme também como uma espécie de catarse pessoal, porque lhe morreu um irmão em treinos militares.
"É um filme sobre a derrota e é uma coisa sobre a qual ninguém fala. Os portugueses não falam sobre a guerra", criticou o cineasta.
Se a produção de cinema de ficção em Portugal não é muito extensa, a que diz respeito direta ou indiretamente à guerra colonial, ao pós-guerra, aos efeitos na sociedade portuguesa, à emigração, aos retornados, à identidade de Portugal, é ainda menor.
Além de Um Adeus Português, citam-se os exemplos de Non ou a Vã Glória de Mandar (1990), de Manoel de Oliveira, e os mais recentes Costa dos Murmúrios (2004), de Margarida Cardoso, Os Imortais (2003), de António-Pedro Vasconcelos, ou 20,13 (2006), de Joaquim Leitão.
No documentário, destaca-se o trabalho dos jornalistas Diana Andringa e Joaquim Furtado (ver entrevista) e dos realizadores Alberto Seixas Santos e Luís Filipe Rocha.
Margarida Cardoso, que nasceu em 1963 em Moçambique, onde o pai cumpria serviço militar, abordou o tema tanto na ficção como no documentário.
Em 1999 fez Natal 71, documentário com traços biográficos, que recupera um disco que os militares receberam com mensagens de propaganda do regime de Salazar. Cinco anos depois adaptou para cinema o romance de Lídia Jorge, passado também em Moçambique, A Costa dos Murmúrios.
"A minha geração [com mais de 40 anos] foi a ideal para fazer uma reflexão sobre a guerra colonial. Estamos ligados a ela porque há sempre uma pessoa na família que passou por isso ou tem uma história. Mas ao mesmo tempo não nos sentimos culpados por ela. É uma geração que está próxima e distante", disse a realizadora à Lusa.
"Devemos enfrentar o que fizemos de mal. E uma das coisas que correram muito mal foi a história dos retornados. Foi uma injustiça gigantesca, há um rancor e um desgosto que passou para filhos e netos", lastimou.
António-Pedro Vasconcelos, que tinha 22 anos quando a guerra começou, não se poupa nas críticas ao que não foi feito: "Temos tendência para esconder as memórias no sótão. Não fizemos o luto, não olhámos para as nossas feridas", disse à Lusa.
O realizador fez em 1974 o documentário Adeus até ao Meu Regresso, no qual reuniu depoimentos de soldados que estiveram na Guiné, a primeira ex-colónia a conquistar a independência.
Quase trinta anos depois estreou a ficção Os Imortais, a partir de um romance de Carlos Vaz Ferraz, em que as personagens são quatro ex-combatentes da guerra colonial.
"A ficção tem um papel catártico, as pessoas podem falar de maneira individualizada sem se fragilizarem, porque a guerra foi uma coisa terrível, condenada ao fracasso, traumatizante", disse.
Em 13 anos de guerra, para a frente de combate foram mobilizados um milhão de soldados, 10 mil morreram e 30 mil ficaram feridos.
Meio século depois do começo da guerra, António-Pedro Vasconcelos defendeu que o Estado tem a obrigação de promover a recolha de memórias.
Já João Botelho prefere olhar para aquele período como a época em que se deu "o nascimento de novos países em África com uma língua que nos une a todos".
"Foi uma guerra de desgaste, de podridão e senti que precisava de romper o silêncio", recordou, admitindo que fez o filme também como uma espécie de catarse pessoal, porque lhe morreu um irmão em treinos militares.
"É um filme sobre a derrota e é uma coisa sobre a qual ninguém fala. Os portugueses não falam sobre a guerra", criticou o cineasta.
Se a produção de cinema de ficção em Portugal não é muito extensa, a que diz respeito direta ou indiretamente à guerra colonial, ao pós-guerra, aos efeitos na sociedade portuguesa, à emigração, aos retornados, à identidade de Portugal, é ainda menor.
Além de Um Adeus Português, citam-se os exemplos de Non ou a Vã Glória de Mandar (1990), de Manoel de Oliveira, e os mais recentes Costa dos Murmúrios (2004), de Margarida Cardoso, Os Imortais (2003), de António-Pedro Vasconcelos, ou 20,13 (2006), de Joaquim Leitão.
No documentário, destaca-se o trabalho dos jornalistas Diana Andringa e Joaquim Furtado (ver entrevista) e dos realizadores Alberto Seixas Santos e Luís Filipe Rocha.
Margarida Cardoso, que nasceu em 1963 em Moçambique, onde o pai cumpria serviço militar, abordou o tema tanto na ficção como no documentário.
Em 1999 fez Natal 71, documentário com traços biográficos, que recupera um disco que os militares receberam com mensagens de propaganda do regime de Salazar. Cinco anos depois adaptou para cinema o romance de Lídia Jorge, passado também em Moçambique, A Costa dos Murmúrios.
"A minha geração [com mais de 40 anos] foi a ideal para fazer uma reflexão sobre a guerra colonial. Estamos ligados a ela porque há sempre uma pessoa na família que passou por isso ou tem uma história. Mas ao mesmo tempo não nos sentimos culpados por ela. É uma geração que está próxima e distante", disse a realizadora à Lusa.
"Devemos enfrentar o que fizemos de mal. E uma das coisas que correram muito mal foi a história dos retornados. Foi uma injustiça gigantesca, há um rancor e um desgosto que passou para filhos e netos", lastimou.
António-Pedro Vasconcelos, que tinha 22 anos quando a guerra começou, não se poupa nas críticas ao que não foi feito: "Temos tendência para esconder as memórias no sótão. Não fizemos o luto, não olhámos para as nossas feridas", disse à Lusa.
O realizador fez em 1974 o documentário Adeus até ao Meu Regresso, no qual reuniu depoimentos de soldados que estiveram na Guiné, a primeira ex-colónia a conquistar a independência.
Quase trinta anos depois estreou a ficção Os Imortais, a partir de um romance de Carlos Vaz Ferraz, em que as personagens são quatro ex-combatentes da guerra colonial.
"A ficção tem um papel catártico, as pessoas podem falar de maneira individualizada sem se fragilizarem, porque a guerra foi uma coisa terrível, condenada ao fracasso, traumatizante", disse.
Em 13 anos de guerra, para a frente de combate foram mobilizados um milhão de soldados, 10 mil morreram e 30 mil ficaram feridos.
Meio século depois do começo da guerra, António-Pedro Vasconcelos defendeu que o Estado tem a obrigação de promover a recolha de memórias.
Já João Botelho prefere olhar para aquele período como a época em que se deu "o nascimento de novos países em África com uma língua que nos une a todos".
Veja ainda:
Entrevista com Marta Pessoa, realizadora de Quem vai à guerra
Poesia sobre Guerra Colonial é um "imenso património de sofrimento"
Fonte:Lusa/SAPO
07 de Fevereiro de 2011
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