segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Guerra colonial no cinema português

"Foi uma guerra de desgaste, de podridão e senti que precisava de romper o silêncio", recordou, admitindo que fez o filme também como uma espécie de catarse pessoal, porque lhe morreu um irmão em treinos militares.
"É um filme sobre a derrota e é uma coisa sobre a qual ninguém fala. Os portugueses não falam sobre a guerra", criticou o cineasta.
Se a produção de cinema de ficção em Portugal não é muito extensa, a que diz respeito direta ou indiretamente à guerra colonial, ao pós-guerra, aos efeitos na sociedade portuguesa, à emigração, aos retornados, à identidade de Portugal, é ainda menor.
Além de Um Adeus Português, citam-se os exemplos de Non ou a Vã Glória de Mandar (1990), de Manoel de Oliveira, e os mais recentes Costa dos Murmúrios (2004), de Margarida Cardoso, Os Imortais (2003), de António-Pedro Vasconcelos, ou 20,13 (2006), de Joaquim Leitão.
No documentário, destaca-se o trabalho dos jornalistas Diana Andringa e Joaquim Furtado (ver entrevista) e dos realizadores Alberto Seixas Santos e Luís Filipe Rocha.
Margarida Cardoso, que nasceu em 1963 em Moçambique, onde o pai cumpria serviço militar, abordou o tema tanto na ficção como no documentário.
Em 1999 fez Natal 71, documentário com traços biográficos, que recupera um disco que os militares receberam com mensagens de propaganda do regime de Salazar. Cinco anos depois adaptou para cinema o romance de Lídia Jorge, passado também em Moçambique, A Costa dos Murmúrios.
"A minha geração [com mais de 40 anos] foi a ideal para fazer uma reflexão sobre a guerra colonial. Estamos ligados a ela porque há sempre uma pessoa na família que passou por isso ou tem uma história. Mas ao mesmo tempo não nos sentimos culpados por ela. É uma geração que está próxima e distante", disse a realizadora à Lusa.
"Devemos enfrentar o que fizemos de mal. E uma das coisas que correram muito mal foi a história dos retornados. Foi uma injustiça gigantesca, há um rancor e um desgosto que passou para filhos e netos", lastimou.
António-Pedro Vasconcelos, que tinha 22 anos quando a guerra começou, não se poupa nas críticas ao que não foi feito: "Temos tendência para esconder as memórias no sótão. Não fizemos o luto, não olhámos para as nossas feridas", disse à Lusa.
O realizador fez em 1974 o documentário Adeus até ao Meu Regresso, no qual reuniu depoimentos de soldados que estiveram na Guiné, a primeira ex-colónia a conquistar a independência.
Quase trinta anos depois estreou a ficção Os Imortais, a partir de um romance de Carlos Vaz Ferraz, em que as personagens são quatro ex-combatentes da guerra colonial.
"A ficção tem um papel catártico, as pessoas podem falar de maneira individualizada sem se fragilizarem, porque a guerra foi uma coisa terrível, condenada ao fracasso, traumatizante", disse.
Em 13 anos de guerra, para a frente de combate foram mobilizados um milhão de soldados, 10 mil morreram e 30 mil ficaram feridos.
Meio século depois do começo da guerra, António-Pedro Vasconcelos defendeu que o Estado tem a obrigação de promover a recolha de memórias.
Já João Botelho prefere olhar para aquele período como a época em que se deu "o nascimento de novos países em África com uma língua que nos une a todos".
Veja ainda:
Entrevista com Marta Pessoa, realizadora de Quem vai à guerra
Poesia sobre Guerra Colonial é um "imenso património de sofrimento"
Fonte:Lusa/SAPO
07 de Fevereiro de 2011
Guerra Colonial - 50 anos depois
"Continua a haver muita deturpação, muita desinformação e muita paixão à volta dos acontecimentos. Estão vivos ainda muitos dos que foram obrigados a ir à guerra, que sofreram na pele, que viram companheiros seus morrer ou ficar feridos, que eles próprios ficaram feridos ou com stress de guerra", diz Vasco Lourenço.
Em entrevista à Agência Lusa, a propósito da passagem dos 50 anos dos acontecimentos que a 4 de Fevereiro constituíram o embrião da guerra colonial em Angola, o capitão de Abril acrescenta que a isto se juntam "sequelas no processo de descolonização" que tornam esta questão "mais num problema de paixões do que racional".
Vasco Lourenço lembra que passam também 50 anos sobre a reabertura do campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, e da criação do campo do Missongo, em Angola, acontecimentos "igualmente condenáveis".
"É todo um conjunto de acontecimentos que nos deve levar a tentar analisar o que se passou para acabar com algumas afirmações de indivíduos que ainda hoje dizem que Angola devia continuar a ser portuguesa e que estão prontos para ir defender Angola, etc... como às vezes de ouve por esse país fora, em situações mais apaixonadas do que lúcidas", diz.
O presidente da Associação 25 de Abril acredita que será "complicado" em breve a sociedade portuguesa ter um olhar racional e de rigor histórico sobre a guerra.
"O facto de ter sido um processo muito longo, de ter sido necessária uma rutura levada a cabo pelas Forças Armadas para encontrar a paz, não ter sido possível fazer uma transição para a independência pacífica e terem vindo forçados muitos portugueses que estavam nas então colónias...demora a sarar", considera.
Meio século depois das primeiras ações violentas dos movimentos independentistas em Angola, Vasco Lourenço evoca sobretudo "o início de uma guerra que podia ter sido evitada" se os governantes da altura tivessem percebido que se estava a "entrar num buraco sem saída".
"Esses primeiros acontecimentos são o resultado da cegueira de não entrar em conversações e negociações para encontrar uma solução política para os problemas do ultramar e obrigaram os movimentos de libertação a entrar na fase armada da luta pela independência, a fase do terror a que se responde com o terror e deu origem às chacinas de parte a parte", refere.
Vasco Lourenço, que estava no primeiro ano da Academia Militar e viria mais tarde cumprir uma comissão na Guiné-Bissau, sustenta que esses primeiros acontecimentos "foram explorados até ao tutano" pelo regime para criar "uma onda de indignação" que pôs "praticamente todo o país a apoiar uma resposta violenta" ao que se passava em Angola.
Diz que as Forças Armadas cumpriram "extraordinariamente" o seu papel à espera que fosse encontrada uma solução política e que acabaram por servir de "bode expiatório", de um conflito que "o ditador Salazar" sabia que ia acontecer.
Fonte: Lusa/SAPO
05 de Fevereiro de 2011
Fonte: Vídeos Sapo
domingo, 30 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
15 de Maio - Arraial Republicano
No dia 15 de Maio de 2010 vai-se realizar um Arraial Republicano em frente à Câmara Municipal de Miranda do Corvo. Este arraial contará com uma Conferência proferida pelo Professor Doutor Amadeu Carvalho Homem, Professor Catedrático da Universidade de Coimbra.
No arraial poderão encontrar tabernas com comes e bebes, tendinhas com artesanato, uma tendinha especial, A Costureira Democrática, para venda de roupas usadas, venda de jornais “da época” e diversos pequenos espectáculos que ocorrerão durante a tarde.
Para abrilhantar o evento os organizadores convidam a população a vestirem-se com roupas do início do Século XX. A partir das 19 horas terá lugar um Bailarico Popular.
No final do Arraial poderemos ver os revoltosos republicanos – actores num trabalho de dramatização – a acenar ao público da varanda da Câmara Municipal.
A iniciativa é da responsabilidade da Câmara Municipal de Miranda do Corvo e do Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo, através da turma do 12º ano B, disciplina de Área de Projecto.
Programa:
15.30h – Conferência “A evolução temporal da ideia de República” pelo Professor Doutor Amadeu Carvalho Homem
17.00h – Arraial Republicano
19.00h – Bailarico Saloio
Ana Carvalho
Ângela Costa
Mariana Simões
Tânia Carvalho
Área de Projecto, 12ºB
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Comemorações do 25 de Abril em Miranda do Corvo
Os alunos do 12ºB convidaram duas personalidades ligadas ao combate do Fascismo, nomeadamente a Professora Natércia Vilaça, esposa de Alberto Vilaça, membro do Partido Comunista Português, preso político; o outro convidado foi Adelino Castro, livreiro e editor, que comentou a censura na época do Fascismo.
No final actuou a Filarmónica Mirandense.
sábado, 24 de abril de 2010
Comemorações do 25 de Abril na Escola
No dia 23 de Abril a nossa escola comemorou mais uma vez a Revolução dos Cravos.
O evento foi organizado pela professora Anabela Monteiro e pelos seus alunos do 12º ano (12ºB), com a colaboração do Grupo Disciplinar de História e da Biblioteca Manuel Alegre.
Para além do Director da Escola, Dr. Fausto Luís, estiveram também presentes os restantes elementos da Direcção Executiva, o Eng.º Carlos do Vale Ferreira (em representação da Autarquia), a Drª Teresa Osório, os alunos da Universidade Sénior da ADFP, professores, alunos e funcionários da escola e outros mirandenses.
O sarau iniciou-se com a apresentação de alguns excertos do filme "Capitães de Abril", comentados pelo General Augusto Monteiro Valente e pelo Professor Carlos Esperança, dois protagonistas do período revolucionário, que sabiamente nos têm ajudado a conhecer melhor este período tão marcante da nossa História.
Após uma declamação de poesia pelos alunos e pela professora Elisabete Ferreira, fomos brindados com a comunicação do Professor Doutor José Henrique Dias [1] sobre a música de Abril (música de intervenção), seguindo-se uma sessão de fados, com interpretações de canções de "Zeca" Afonso, de Adriano Correia de Oliveira, entre outros.
O sarau terminou em alegre convívio, com uma "Merenda da Liberdade".
É ainda um consagrado Cantor de Coimbra (tendo integrado a "2ª Década de Oiro do Fado de Coimbra" nos anos 50) e também interpretou algumas canções de Abril no nosso sarau.



